Uma sequência de declarações públicas de pesquisadores da própria Anthropic reabriu o debate sobre os riscos existenciais da inteligência artificial. Jacob Coxon anunciou sua saída da empresa e, ao justificar a decisão, disse enxergar nas duas companhias em que atuou — a própria Anthropic e a OpenAI — uma falta de responsabilidade no desenvolvimento de seus modelos, chegando a acusar ambas de apostar com a vida das pessoas.
A publicação de Coxon provocou reação em cadeia dentro da própria Anthropic. Evan Hubinger, líder da divisão de alinhamento da empresa, declarou que a IA poderia matar todos os humanos e estimou em mais de 10% a probabilidade de extinção humana na próxima década. Outros funcionários, como Anna Wang, Drake Thomas e Samuel Marks, também se manifestaram publicamente sobre os riscos.
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Vozes internas divergem sobre velocidade do desenvolvimento
Anna Wang, que atua com segurança de inteligência artificial geral na Anthropic e já trabalhou no Google DeepMind, afirmou que muitos dentro da empresa querem desacelerar o desenvolvimento porque não existe ainda um plano científico viável para lidar com os riscos de uma IA capaz de se autoaperfeiçoar recursivamente. Drake Thomas reforçou o alerta, dizendo que as coisas avançam rápido demais para o grau de garantia necessário diante de uma possível superinteligência.
Samuel Marks acrescentou que, entre os desenvolvedores de IA, quanto mais sênior o funcionário, maior tende a ser a preocupação com consequências graves nos próximos anos. No mesmo período, a Anthropic divulgou um relatório sobre o desmantelamento de uma operação que tentava construir uma arma biológica usando seus modelos, e também um relatório de inteligência sobre ameaças envolvendo os modelos Claude, com usos ligados a armas, operações cibernéticas, vigilância e fraude.
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Amodei pede desaceleração e mercado reage
Dario Amodei, CEO da Anthropic, publicou um ensaio pedindo que as empresas do setor reduzam o ritmo de ampliação das capacidades de seus modelos. Ele alertou que, em seis a doze meses, agentes de IA poderiam ser capazes de assumir toda a internet, causando centenas de bilhões de dólares em danos. Sam Altman, da OpenAI, concordou com a preocupação e classificou os riscos de extinção como inaceitáveis, enquanto Elon Musk, da xAI, também disse compartilhar a preocupação dos executivos.
As declarações precederam uma queda das ações ligadas à inteligência artificial em 14 de setembro de 2026. Os futuros do Nasdaq recuaram 1,3% durante negociações na Ásia. A SoftBank, investidora da OpenAI, caiu 13,2% no Japão. O setor de semicondutores também sentiu o impacto: a japonesa Kioxia teve baixa de 9,8% e a Tokyo Electron, de 3,7%; em Taiwan, a TSMC cedeu 1,2%; na Coreia do Sul, a SK Hynix recuou 5,3%; e a sul-coreana Samsung Electronics registrou queda de 3,7%.
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Musk questiona autenticidade dos alertas
Elon Musk desqualificou publicamente as declarações de Jacob Coxon, sugerindo que o episódio poderia ser uma operação coordenada e financiada para gerar apoio a regulamentações mais rígidas sobre IA. Coxon respondeu publicando uma selfie, afirmando ser uma pessoa real com crenças genuínas e sugerindo que Musk poderia consultar pesquisadores da própria xAI sobre sua credibilidade.
A Anthropic, por sua vez, defendeu sua estratégia por meio de um porta-voz, afirmando que sempre foi transparente sobre os benefícios e riscos sem precedentes da IA e que seus modelos seguem sendo desenvolvidos com medidas de segurança entre as mais rigorosas da indústria.
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Nem todos veem risco existencial como prioridade
O cientista Gary Marcus discordou do foco no risco de extinção, defendendo que é hora de boicotar a tecnologia por danos que já ocorrem, como patógenos produzidos com auxílio de IA, guerras agravadas por desinformação gerada por sistemas de IA e ataques a infraestruturas críticas. Segundo ele, nada indica que esses riscos já estejam sob controle.
No mercado financeiro, Michael Burry, conhecido por apostas contra o setor imobiliário antes da crise de 2008, classificou os alertas de extinção como exagero que serviria para encobrir uma desaceleração real e incontrolável do crescimento do setor de IA.
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Olhar da Hédiz · Análise
Olhar da Hédiz
Para quem decide sobre adoção de IA em empresas e imobiliárias, o episódio mostra que o discurso sobre riscos existenciais não é unânime nem consenso técnico. Há divergência entre pesquisadores de segurança dentro das próprias empresas de IA e entre investidores sobre o peso real desses alertas. A queda das ações de chips e tecnologia indica que o mercado já precifica esse tipo de incerteza, o que pode afetar custos e disponibilidade de infraestrutura de IA no curto prazo. Isso reforça a importância de acompanhar como fornecedores de tecnologia tratam segurança e transparência, sem que isso signifique interromper a adoção de ferramentas já validadas operacionalmente.
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